Enfim, o dia do exame!!
Na marcação disseram-me que
exames laboratoriais são na própria unidade da UBS e só podem ser agendados
para o horário de 7h00. Todos são agendados no mesmo horário e atendidos por
ordem de chegada.
Acordei 5h40 da manhã. 12 horas
de jejum para realizar os exames de sangue e lá vamos nós, com os famigerados
potinhos, para a UBS Humaitá!
Cheguei à UBS às 6h30. Muito
frio e chuva forte. Na entrada, bastante gente aguardando em fila, mas a
enfermeira/recepcionista conseguiu acomodar a todos dentro da sala, protegidos
do frio e da chuva.
Apesar dessa gentileza, tinha
cara de poucos amigos, mas tratou a todos educadamente, muito embora não
recebendo de volta o mesmo tipo de tratamento.
Aquilo me incomodou um pouco,
pois costumo ser gentil, solícita e muito simpática com todas as pessoas.
Ela passou na fila, olhando as
guias dos exames de cada um e distribuindo uma senha, com o cuidado de ver quem
era prioritário e quem não era. Havia 2 cores de cartões em suas mãos, uma
amarela e uma branca, onde a amarela era entregue aos prioritários e a branca,
aos não prioritários.
Às 7h00 em ponto começaram a
chamar as pessoas para o atendimento. E a ordem era essa: Nr. 1 amarelo e
depois, Nr. 1 branco e assim sucessivamente.
Quando a pessoa era chamada,
dirigia-se até a mesa da enfermeira e lhe entregava a guia com o pedido do
exame, carteirinha do SUS e da UBS. Ela então devolvia os documentos e o papel
com a data de retirada dos resultados. Pegava as etiquetas e identificava as
ampolas do sangue e os potinhos dos demais exames. Orientava o paciente a
colocar os potinhos nas caixas destinadas a cada exame ao lado e indicava as
cadeiras do outro lado da sala para sentar e aguardar a chamada.
Ao ser chamada, dirigi-me até
sua mesa e, com meu habitual sorriso no rosto dei bom dia a ela e recebi de
volta o mesmo sorriso e a mesma gentileza. Fui orientada quanto aos
procedimentos e em seguida, apontou as cadeiras onde eu deveria aguardar a
minha vez.
Enquanto aguardava para
realizar a coleta do sangue fiquei observando a moça e notei que ela tinha
muito boa vontade e até paciência para atender, mas muitos que ali chegavam,
falavam de forma ríspida, faziam perguntas, mas questionavam quando ela
respondia sobre os procedimentos e poucos a desejavam bom dia. Os que tinham
simpatia, assim como tive, ela tratava de forma igual a que recebia. Logo me
lembrei da frase "Gentileza gera gentileza" e fiquei lá no meu canto,
observando e pensando no quanto essa moça deve aturar de gente mal educada,
como tantas que eu havia notado num curto espaço de tempo.
7h40 da manhã, minha vez de ser
atendida. A enfermeira da coleta pediu pra eu levantar as mangas da blusa para
verificar qual dos braços tinha uma veia melhor para puncionar. Após decidir,
ela garroteou meu braço e pediu para abrir e fechar a mão por alguns segundos,
enquanto ela dava leves batidas na veia pra subir mais rápido.
A veia subiu, ela puncionou e
eu, claro, puxei assunto, como sempre!
Disse que admirava quem fazia
esse trabalho, pois não deve ser fácil e eu acho que jamais teria coragem de
fazer isso, aliás, nem profissional da área eu sou. Ela logo quis saber qual
era minha área e disse que está fazendo faculdade de marketing, que na verdade
não gosta muito da sua área de atuação. Disse que desde criança achava que
deveria trabalhar na saúde, mas depois de 15 anos atuando, não se sente
suficientemente feliz e por isso resolveu arriscar.
Ainda sugeri que ela não saísse
da área de saúde e que usasse sua futura profissão pra ficar no mesmo meio que,
certamente, ela conseguiria alcançar um nível de satisfação que busca dentro de
si.
Ela, em dúvida, perguntou se
isso seria possível e eu disse que sim. Bastava ela, já na reta final do curso,
focasse naquilo que ela tem de experiência e poderia unir o útil ao agradável
(formação x experiência). Ela parece ter gostado da ideia, pois disse que
procuraria mais informações a respeito.
Saí da sala com a sensação de
ter feito uma boa ação! rsrs
Antes de sair da área de
exames, passei pela mesa da enfermeira que recepcionava os pacientes para exames
e desejei a ela um ótimo dia e um excelente fim de semana e ela, muito
sorridente agradeceu-me e desejou de volta as mesmas coisas. Em seguida me deu
tchau e disse "vai com Deus". Achei bonitinho da parte dela. Uma
pequena gentileza que faz a diferença no dia de cada um!
Voltei pra casa feliz. Algum
motivo especial? Não, apenas a sensação de ter arrancado sorriso de duas
enfermeiras que aparentavam certo cansaço, desânimo e uma cara fechada por
lidarem com pessoas de educação e cultura tão diferentes, mas mesmo assim,
estão ali, cumprindo seu papel de agentes da saúde.
Ponto negativo: Havia uma
quantidade imensa de gente fazendo exame de sangue naquele dia. Uma quantidade
considerável de idosos, inclusive. Todos nós em jejum há mais de 12 horas e não
havia sequer um café sendo oferecido. Não digo um café da manhã, cheio de
guloseimas como oferecem nos laboratórios particulares, mas um simples café com
açúcar (ou adoçante) pra garantir que ninguém tivesse uma hipoglicemia após a
coleta do sangue.
Eu moro perto e voltei pra
casa, tomei meu café da manhã numa boa, mas, e quem não tem a mesma sorte que
eu? Tudo bem que as UBS's atendem somente a população regional e ninguém ali
deveria estar muito longe de suas casas, mas uma queda glicêmica pode acontecer
a qualquer momento e ninguém está livre disso!
Qual a nota atribuída? 8,0!
Pela preocupação em não deixar ninguém na chuva, pela paciência em atender as
pessoas, mesmo as mais exaltadas e, principalmente, pelo cumprimento rigoroso
do horário! Ah, pela higiene e cuidados com todo o material também!
Agora é aguardar o tempo de
retornar à consulta com o médico para ver os resultados dos exames.
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